Após filmar longa sobre Kardec, ator se torna vegano

Cético até os 50 anos e registrado com o nome de Hippolyte Léon Denizard Rivail, Allan Kardec tem parte de sua história pouco conhecida. Uma trajetória com contradições, crise de fé, conversão e descobertas a serem mostradas em “Kardec”, filme que chega aos cinemas em 2019.

Com direção de Wagner de Assis, a produção é baseada no livro “Kardec – A biografia”, de Marcel Souto Maior. A obra acompanha a vida do francês desde o período em que atuava como educador até o momento em que se torna o “pai do espiritismo”.

No longa, Kardec é interpretado pelo ator Leonardo Medeiros. Dar vida ao estudioso que codificou a doutrina espírita fez Leonardo colocar em prática algumas transformações pessoais, coisas que ele já pensava em mudar, entre elas a alimentação. O ator se tonou vegano.

“Empurrão”– No espiritismo, o consumo da carne é questionado e Leonardo diz que viver Allan Kardec no filme foi incentivo para essa mudança. “O filme me deu um empurrão e acabei virando vegano. A parte da fenomenologia não é muito a minha praia, mas a parte dos preceitos dessa doutrina é muito legal, poucas religiões trazem esse conforto”, acredita o ator.

Falar de Kardec fez nascer no diretor de “Nosso Lar” e “A Menina Índigo” (sucessos do cinema que misturam religiosidade e boas bilheterias) a vontade de mostrar para o público que “o conhecimento pode salvar as pessoas”. “O personagem tem essas coisas boas que nos trazem reflexões, porque se trata de uma trajetória humana”.

“Ele reformou o ensino básico, um homem de razão e ciência, que aceitou mudar de nome, aos 50 anos, para dar voz a uma coisa que ele descobriu com a ciência, depois de pesquisar muito”, explica Wagner.

Apesar de ter uma temática espírita, não se trata de uma produção sobre o espiritismo. “É um filme sobre investigação, sobre métodos, sobre racionalizar coisas que até então não poderiam ser racionalizadas”, resume o diretor.

“Nosso filme é absolutamente universal. Não é um filme espírita, porque não acredito no gênero espiritismo, como temos o drama, a comédia. Combato esse rótulo porque espiritismo é uma doutrina, pode ser qualquer coisa, menos um gênero cinematográfico”, disse.

Parte das filmagens foi feita em Paris, em maio, agora as cenas estão sendo rodadas, no Rio de Janeiro, em locações que recriam o ambiente parisiense do século 19.

Os sets montados em Paris foram o grande desafio do diretor. “Conseguir fazer um filme de época, em uma época que não existe mais nem em Paris foi uma experiência desafiadora. Nos anos em Kardec viveu os prédios eram velhos, tinha esgoto nas ruas, muito diferente. O universo desse filme é complexo, fora todo o contexto de interpretação”, avalia Wagner.

Fonte: G1

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