Campeão de fisiculturismo: como ganhar músculos sendo vegano

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Cresce cada vez mais o número de vitoriosos veganos dentro de competições esportivas nacionais e internacionais. Hoje, já é possível encontrar times de fisiculturistas veganos no mundo e no Brasil. Diversas marcas apostam na alimentação especializada dos atletas veganos e grupos nas redes sociais ajudam as pessoas a tirarem suas dúvidas sobre praticar a atividade física mantendo a filosofia de apoio total à causa animal.

Recentemente, o atleta vegano Felipe Garcia do Carmo, conquistou o 1° lugar da categoria Class 1 (acima de 1.79m) no II Campeonato de Fitness e Musculação, realizado em Mairinque, no interior de São Paulo que ainda contou um outro vegano no palco, Paulo Victor Pinheiro, o Paru, que conquistou o 4ª lugar da competição. Com 8 participantes, Felipe se destacou entre todos os concorrentes e levou o troféu para casa. Uma grande vitória para ele e para veganismo.

Mais conhecido como “Fefeu”, Felipe Garcia do Carmo  superou preconceitos e rompeu barreiras ao optar por uma dieta vegana no meio fisiculturista. Felipe, que anteriormente comia 20 claras de ovos diariamente, tornou-se campeão apenas com a força dos vegetais, sem carne, ovos ou leite.

Nessa entrevista, ele conta a sua trajetória até o veganismo, dando dicas para aqueles que desejam ser fisiculturistas sem qualquer tipo de produto de origem animal.

Dá pra ficar forte sem se entupir de peito de frango e clara de ovo?

Com certeza! Sou a prova viva disso, afinal eu era um atleta fisiculturista que consumia 20 claras de ovos e 1 quilo de peito de frango por dia, há mais de dois anos atrás. E hoje estou aqui, vegano, com muito mais qualidade e quantidade em volume muscular que antigamente.

Pelo nível de compromisso e força de vontade exigidos, competir profissionalmente é sempre muito difícil, e ser o destaque da noite como primeiro lugar no palco é para poucos. O que o motivou a atingir este resultado?

Nível competitivo, seja amador ou profissional, não é fácil. E o fisiculturismo exige uma disciplina e dedicação extrema, afinal somos nosso próprio adversário durante toda a preparação. E ser campeão em uma categoria das mais disputadas, com atletas onívoros disputando no mesmo palco, foi incrível.

Me preparei para a competição com a ideia de ficar entre os três primeiros colocados, pois a vontade maior em meu coração não era ganhar simplesmente um troféu, e sim levar a bandeira do veganismo para que todos pudessem ver que nossas proteínas vegetais são similares e competentes às proteínas animais, com a diferença de não financiarmos a morte de nossos irmãos para esse feito.

Desse modo, ficar entre os melhores da categoria daria essa visibilidade maior ao veganismo, e quebraria de vez o preconceito e o mito das proteínas vegetais, assim como o mito de que fisiculturista vegano não é capaz de competir com fisiculturistas onívoros.

E felizmente, para minha surpresa e a de todos, fui Campeão da Categoria Class 1, acima de 1,79 de altura.

Que dica de nutrição você daria para alguém que está pegando pesado na academia, mas que não quer ingerir proteínas através da carne, leite ou ovos?

A dica que dou é que consuma durante a semana todas as fontes proteicas como feijão, lentilha, grão de bico, tofu, pts, soja, tempeh. Consuma carboidratos bons, como arroz, batatas, mandioca, frutas, legumes e verduras em geral, oleaginosas como castanhas, nozes, amendoim, amêndoas, entre outros, e fibras e cereais como linhaça, aveia, chia, etc.

Por que você resolveu tornar-se vegan?

Um dia vi uma foto em uma rede social, postagem da Luisa Mell, que mostrava a tristeza de um cão filhotinho e o olhar de desilusão de sua mãe presa a uma jaula, que posteriormente iria ser abatida. Aquela imagem me perturbou, me pegou de jeito. O rostinho da mãe e seu olhar me trouxeram lembranças de um cachorrinho que tive e que infelizmente foi atropelado na minha frente, por imprudência da minha parte.

Levei ele ao veterinário ainda com vida, e deitadinho no colo da minha mãe, que me ajudou com o socorro, ele me olhava triste, e esse foi o mesmo olhar da mãe presa a jaula. Isso me fez chorar demais quando vi a imagem na rede social. Fiz a ligação com o meu cachorrinho. E isso bastou para mim. Chorei demais e refleti sobre aquilo, até que cheguei a conclusão que mudou minha vida para melhor: ‘Se eu amo uns, por que como outros?’

Desse dia em diante, decidi não comer mais carne. E assim foi. Virei ovolacto-vegetariano por apenas três semanas e logo parti para o veganismo, pelo amor aos animais, por sentimento. Atualmente luto não só pelos animais, mas pelos humanos e por um mundo melhor a todos!

Quais tipos de preconceitos você enfrentou, e ainda enfrenta, ao declarar-se vegan no meio do fisiculturismo?

Sofri bastante preconceito no início, dos colegas do meio fisiculturista, pois para eles, era um absurdo um vegano ganhar músculos ou definir comendo carboidratos em grande quantidade, já que os alimentos proteicos são acompanhados desse nutriente. Mas eu não dei ouvidos, segui minha razão e meu coração. Estava disposto a largar mão de tudo pelo veganismo, independente se essa decisão iria comprometer minha carreira como atleta.

Mas os resultados começaram a surgir e a surpreender ao colega mais cético da academia. Viram ao vivo que é possível ser um atleta fisiculturista e que nossas proteínas e nosso estilo de vida são compatíveis em qualquer modalidade. Isso fez com que o tabu fosse quebrado e o respeito e admiração surgissem, afinal passei a ser referência, dentro e fora da academia. Entrava um aluno novo e já me apontavam dizendo que eu era vegano.

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Você considera ser mais difícil ganhar massa muscular com uma dieta vegana?

Pelo contrário. Em meu primeiro campeonato subi no palco com 80 quilos (onívoro). Anos depois, como vegano, disputei outro campeonato depois de Mairinque e subi no palco com 91 quilos, muito mais definido e com muito mais volume do que antes. Como digo a todos, proteína é proteína!

Qual a sua preparação e rotina de treinos ?

Meu planejamento é anual. Divido em 3 ciclos as fases de dieta e treino durante o ano:

6 meses de Ganho de Massa Muscular – Hipertrofia;
2 meses de Treinamento de Força e Potência;
4 meses de Dieta para definição.

Em fase da dieta para definição, incluo a pré-dieta, na qual corto alimentos com glúten e consequentemente lanches e pizzas, durante um mês. Mantenho o treinamento igual a fase de hipertrofia, porém uso princípios de treinamento que vão envolver um número maior de fibras musculares, aumentando assim a qualidade da musculatura, vaso dilatação e o estímulo da lipólise, que é a queima de gordura.

No mês seguinte entro na dieta restrita, onde escolho os alimentos certos que respondem melhor ao meu organismo e diminuo gradativamente o carboidrato, aumentando progressivamente a proteína, para evitar o catabolismo, perda de massa magra.

No terceiro e último mês começo a me preocupar com a quantidade calórica do meu dia-a-dia, assim como o tipo de carboidrato a ser consumido. Geralmente ‘caso’ com dois tipos de carboidratos durante o dia, como por exemplo, arroz e banana.

E nos últimos 15 dias dou uma atenção especial ao sódio, potássio, magnésio e cálcio, minerais que, manipulados corretamente, surpreendem nos resultados no dia da competição.

Os treinos se mantêm na mesma configuração, apenas ajusto de acordo com o músculo que está menos desenvolvido ou que está um pouco mais ‘retido’, variando algum exercício ou aumentando o numero de repetições.

Exercícios aeróbios para auxiliar na lipólise, queima de gordura, executo duas vezes na semana em jejum por no máximo 20 minutos e duas a três vezes na semana logo após o treinamento com pesos. Isso já é o suficiente para que os resultados apareçam no decorrer dos meses!

Felipe hoje mantém um canal no YouTube dando dicas para atletas que desejam ganhar massa muscular sem crueldade.

Fonte: O Holocausto Animal

3 comentários em “Campeão de fisiculturismo: como ganhar músculos sendo vegano

  • 16 de agosto de 2017 em 16:18
    Permalink

    haha Quando eu crescer quero ser assim!
    Força vegana, é isso aí. Fiquei feliz por ele ter feito a escolha, mesmo com medo de não conseguir ser atleta – e ter descoberto, claro, que não precisava de nada de origem animal para ser um exímio atleta!
    É dando o nosso melhor exemplo que vamos conseguir cada vez mais convencer as pessoas de que o veganismo só traz coisa boa 😀
    #GoVegan !

    Resposta
    • 21 de agosto de 2017 em 17:19
      Permalink

      Agradecemos o seu comentário, Elisa.

      Resposta

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