As advogadas que estão transformando o mundo para os animais

No final de 2016, a cidade de Montreal, no Canadá, foi centro de discussões sobre direitos animais. A cidade recebeu a atenção da mídia ao banir pit bulls através da Legislação Específica Para Determinadas Raças de Cães (BSL, Breed Specific Legislation).

As advogadas Alanna Devine e Sophie Gaillard trabalham na Montreal SPCA, a agência de proteção animal mais antiga do Canadá e  participaram da linha de frente nessa luta contra a legislação.

A briga contra a BSL em Quebec é apenas um dos casos mais recentes onde advogados e advogadas canadenses usaram sua expertise para tentar fazer a diferença para os animais, e agora, junto com Devine e Gaillard, outras três advogadas se destacam por seu comprometimento com os animais do Canadá: Camille Labchuk, Anna Pippus e Lesli Bisgould.

Essas cinco advogadas são veganas e querem que as discussões sobre o tratamento dos animais no Canadá incluam todas as espécies, pois é frustrante ver pessoas que se importam profundamente com animais domésticos, como cães e gatos, mas ficam cegas quando se trata do sofrimento de outros, o que é bem visível com o crescimento dos “ovos livres de gaiolas”.

Elas possuem grande visibilidade e influência no campo da lei animal canadense nos últimos anos. Bisgould, que abriu o primeira consultório de direitos animais no Canadá, deixou de exercer a legislação animal para ensiná-la.

Pippus e Labchuk passaram boa parte da vida construindo o Animal Justice, a única organização nacional de direito animal do país (Labchuck atualmente trabalha como diretora executiva da organização) e, assim, contribuíram com seus conhecimentos com uma enorme gama de casos envolvendo animais. As repórteres Jo-Anne McArthur e Keri Cronin do The Unbound Project passaram cinco dias com essas cinco advogadas para falar sobre a área dos direitos animais, a evolução da proteção e direito animal nos últimos anos e conselhos para quem quer atuar na área.

Apesar das advogadas terem antecedentes e áreas de expertise diferentes, há muito em comum entre elas. “Estamos todas focadas em conseguir a libertação animal por meio da lei”. Labchuk concorda, “para mim, o Direito e ser uma advogada é apenas uma ferramenta para conseguir a libertação animal. Não é um fim ou um meio em si”.

Bisgould lembra como as coisas eram antes, como o modo dominante de pensar em relação aos animais e a lei eram “uma ferramenta que os advogados usaram para capacitar advogados para lutar pelas coisas”. Agora, no entanto, “os próprios advogados querem ser defensores e isso é mesmo uma mudança”, ressalta.

Devine, Gaillard, Labchuk, Pippus e Bisgould concordam que as coisas estão mudando rapidamente no contexto da lei animal canadense e que recentemente tem havido um grande interesse em usar o sistema legal para tornar o mundo um lugar melhor para os animais.

Gaillard lembra de ser aconselhada na faculdade a “não ser muito apaixonada por qualquer caso que você esteja trabalhando, manter-se fria e objetiva, sem investimentos emocionais, pois esse não seria um bom trabalho”. “Essa ideia de que você só pode ser um bom advogado se você não tem laços emocionais – eu sempre achei uma besteira!”, completou.

Pippus aponta que “se alguém está dizendo que ‘se importa sobre como os animais são tratados e portanto devem ficar foram de gaiolas’ nós precisamos pegar essa compaixão e dizer ‘ok, se é assim que você se sente, a única solução são os direitos dos animais e o veganismo’”, e Devine complementa: “se você pode fazer as pessoas reconhecerem que o primeiro passo em relação aos animais criados em fazendas é respeitá-los e assim fazê-las se preocuparem com o tratamento deles, eventualmente elas vão entender que não é humano fazer qualquer das coisas que fazemos para criar animais”.

Mesmo quando as coisas ficam difíceis e as vitórias aparentam não significar muito, Devine, Gaillard, Labchuk, Pippus e Bisgould continuam motivadas. Gaillard salienta que elas não estão nisso pelas vitórias, mas sim porque “nós não temos escolha. Nós iremos morrer tentando, não podemos apenas sentar e assistir a crueldade animal acontecer sem tentar fazer alguma coisa em relação a isso”. Esse aumento de consciência está começando a encontrar seu caminho também nas faculdades de Direito do Canadá. “Isso é o que me anima em relação ao futuro, em 20 anos todos que cursaram uma faculdade de Direito terão tido contato com os direitos animais na sala de aula”, diz Labchuk.

Além disso, elas vêem a orientação como uma parte importante de suas vidas profissionais e regularmente conversam com estudantes que têm interesse em seguir carreira na área e, a partir disso, todas também notam que parece haver um aumento notável no número de jovens – em particular mulheres jovens – que querem fazer parte do Direito Animal canadense. Bisgould aconselha esses estudantes a terem uma mente aberta e trabalhar para ter bastante experiência.

Devine complementa: “não há um caminho a ser seguido, não tenha medo de criar o seu. Há muitas pessoas fazendo coisas interessantes pelos direitos animais que não são em tempo integral. Mesmo que você não consiga um cargo no final que seja 100% direito animal, é importante lembrar que ainda há muito a ser feito em outras profissões, principalmente no governo. Precisamos de políticos, juízes que tenham a mente aberta em termos de violência contra animais e ter advogados no governo que considerem que os direitos animais fariam uma grande diferença”.

Fonte: Anda

 

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