Fim da tração animal nas charretes em Petrópolis, segundo votação

A população de Petrópolis, Região Serrana do Rio, decidiu pelo fim da tração animal nas charretes em plebiscito realizado dia último dia 7 de outubro, durante o primeiro turno nas Eleições 2018. Os votos válidos contra o uso dos cavalos na atividade turística representaram 68,57 %, enquanto 31,43 % votaram a favor, segundo a Justiça Eleitoral.

Dos 170.781 votos válidos, 117.113 foram contra a atividade e 53.668 a favor. Os votos brancos somaram 8.155, enquanto o total de nulos foi de 5.732.

O plebiscito foi convocado pela Câmara de Vereadores e a votação ocorreu nas urnas. Depois de votar para presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual, os eleitores tiveram que responder à pergunta:

“Você é a favor ou contra o uso de tração animal nos passeios turísticos realizados pelas charretes no município de Petrópolis?”.

Polêmica – A votação, porém, já está causando polêmica. Moradores afirmam que a metodologia foi confusa, já que cabia ao eleitor digitar apenas o número 1 para o “sim” e o 2 para o “não”. A jornalista Andréa Lopes conta que encontrou pessoas que deram o voto oposto ao que queriam.

“Só tinha um quadradinho para que o eleitor digitasse o número,mas não tinham as opções. Eu sabia que o 2 era contra, mas outras pessoas não”, disse Andréa, que após sair da seção encontrou com duas pessoas que reclamaram do sistema.

“O meu irmão, por exemplo, disse que votou ao contrário do que ele queria porque se confundiu. Encontrei também uma outra amiga que não sabia qual era o número que ela queria votar”, lamentou a jornalista, que chegou a questionar o mesário e foi informada que havia um papelão com informações disponíveis.

As charretes, também chamadas de vitórias, são alvo de polêmica em Petrópolis, o que levou o vereador Meireles (PP) a pedir o plebiscito. Segundo ele, esta era uma maneira de decidir a questão de forma democrática.

O grupo que é contra a permanência do meio de transporte afirma que os animais são maltratados e não trabalham em condições adequadas, ficando expostos ao tempo e sujeitos a situações como a que aconteceu durante um temporal de granizo, que fez com que os animais saíssem correndo em meio aos carros no Centro da cidade.

“Ferramenta turística” – Já quem é a favor da atividade diz que se trata de uma importante ferramenta turística, além de ser uma característica cultural da cidade, uma vez que a atividade é exercida há mais de 100 anos.

Os cavalos serão abrigados pela organização não governamental Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, onde serão bem tratados. O presidente da Comissão de Proteção e Defesa dos Animais da Ordem dos Advogados do Brasil Regional Rio de Janeiro (OAB-RJ), Reynaldo Velloso, avaliou que um veículo alternativo para a charrete pode ser carro ou bonde elétrico.

Essa situação pode ter perdurado por  mais de um século, ser de agrado dos turistas e fonte de renda para alguns, mas nunca é tarde para mudar o que não está bom e o que pode levar sofrimento aos animais. Outras formas de uso das charretes podem ser colocadas em ação e ser atração também compatível ao turismo.

Fonte: G1

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