Forest Green Rovers: o 1º clube de futebol vegano do mundo

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Fundado em 1889 e com sede na cidade de Nailsworth, pequena cidade de 6 mil habitantes localizada nas colinas de Costwolds (Inglaterra), o Forest Green Rovers é oficialmente o primeiro clube de futebol vegano do mundo.

O time ficou ainda mais famoso após retirar todos os ingredientes de origem animal do cardápio dos jogadores e funcionários, além de substituir os famosos hambúrgueres, cachorros-quentes e tortas tradicionalmente associados ao futebol por opções veganas, produzidas com ingredientes fornecidos por agricultores locais e servidas durante os jogos realizados em seu estádio.

De acordo com o presidente do clube, Dale Vince, a mudança foi gradual e começou há quase seis anos, quando opções vegetarianas foram incluídas no cardápio. “Como um clube de futebol, paramos de servir carne aos nossos jogadores, fãs e funcionários. Nós estivemos em uma missão desde então para introduzir nossos fãs neste novo mundo. Quando você retira a carne e inclui opções veganas em sua alimentação, um novo universo de alimentos se abre”, declarou.

Dale Vince, dono do Forest Green Rovers, no estádio New Lawn

 Além das opções livres do sofrimento animal, a água para regar é reciclada, a pintura tem uma origem natural e a energia procede dos painéis solares colocados no teto das arquibancadas.

Há também estações para recarregar as baterias dos carros elétricos, e as camisetas do time exibem o logo da ONG Sea Shepherd, que trabalha com a proteção dos oceanos.

Apesar de sempre ter se chamado Forest Green (Floresta Verde), o clube só adotou esta política em 2010, com a chegada de Vince, empresário e entusiasta da energia eólica e também um ambientalista veganoquando.

“Nos servimos do clube para nos dirigirmos a um público com o qual se fala pouco sobre os problemas ambientais: os fãs de futebol. Não damos sermão aos convencidos”, explica Vince, 53.

Em apenas 7 anos com a administração e o investimento financeiro de Dale, o Forest Green Rovers (FGR) saiu dos campeonatos amadores onde esteve por décadas para estrear neste mês na 4ª divisão do futebol profissional inglês.

Mensagem e sucesso esportivo são “indivisíveis”.

“A mensagem tem mais peso se temos sucesso no campo. Temos um gramado biológico, mas isto não serve de nada se não formos excelentes. Seria inclusive negativo”, acrescenta Vince, que sonha levar o modesto clube à segunda divisão inglesa.

Ele pretende trasladar o time “em três ou quatro anos” ao primeiro estádio construído em madeira reflorestada, já projetado pelo escritório de Zaha Hadid, e que abrigará um ecoparque com uma incubadora de “start-ups” verdes.

“Não temos que nos contentar com ser ‘bio’, temos que ser veganos. Não utilizamos derivados de animais”, diz o jardineiro Adam Witchell, mostrando as algas que utiliza para fertilizar a grama, “cheias de nutrientes” e que procedem das Ilhas Hébridas (Escócia).

“Removo as ervas daninhas com a mão. É mais saudável para mim, para os jogadores e para as abelhas”.

O que vale para o gramado, perfeito após a passagem de um robô cortador, vale para a comida servida aos jogadores e aos espectadores.

Comida

“Não é difícil fornecer aos atletas os nutrientes que necessitam, e especialmente as proteínas”, afirma a chefe de cozinha, Em Franklin, após preparar o prato para a partida: um curry com ervilhas.

“Eu era muito entusiasta com o desafio de tornar a comida vegana acessível a todos”, disse. “Venham e provem: é bom, é saudável para seu corpo e para o meio ambiente! Me disseram que as vendas aumentaram”.

Em campo, tudo funciona bem e tem a aprovação do técnico Mark Cooper.

“Me tornei vegetariano há seis meses. Não pensava nisso antes e realmente gostava do meu sanduíche de bacon no domingo de manhã”, brinca o técnico.

“Mas aqui, isso começa a te impregnar. Aliás, tenho uma mensagem para a prefeitura: Façam as lixeiras maiores e as pessoas vão reciclar mais!”, diz.

Cooper cita até o argentino Sérgio Agüero. “Ele diz que durante a temporada é só vegano. Se isto funciona com ele, também deveria servir para nós”, completa.

Segundo o presidente do time, a mudança levou em consideração as questões ambientais e a saúde de seus colaboradores, mas o objetivo principal era parar de patrocinar a tortura e o sofrimento dos animais explorados e assassinados brutalmente.

“A indústria de carnes e laticínios é responsável por mais emissões do que todos os aviões, trens, carros e barcos do mundo juntos. Trata-se de crueldade animal em números surpreendentes: na Grã-Bretanha, mais de 1 bilhão de animais são comidos todos os anos – 3 milhões por dia – e isso sem contar os peixes. Cada um desses animais vive uma vida curta e terrível”, salientou Vince.

Um comentário em “Forest Green Rovers: o 1º clube de futebol vegano do mundo

  • 16 de agosto de 2017 em 15:40
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    haha nunca gostei ou fui fã de futebol, mas agora acho que finalmente achei um time!

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