Em Portugal, produtos considerados biológicos contêm vestígios químicos

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A revista Visão, de Portugal, testou em laboratório 113 alimentos rotulados no País como biológicos. Quase um em cada cinco, ou seja 20% dessa amostra, continha vestígios de pesticidas sintéticos proibidos e outros químicos tóxicos. Entre eles, uma substância que a Agência Internacional de Pesquisa em Cancro da Organização Mundial de Saúde acredita ser “provavelmente cancerígeno”, o glifosato.

O presidente da Associação Portuguesa de Agricultura Biológica, Jaime Ferreira, disse à Lusa estar surpreendido com os resultados e que, a confirmarem-se, se está perante “um caso de saúde pública”. Entre a lista de alimentos analisados encontram-se produtos como arroz, espaguete, óleo de girassol, fruta e vinho. A maioria de origem ou de marcas portuguesas. Alguns apresentavam níveis de vestígios 12 vezes acima daquilo que é permitido por lei. “Estamos a falar de um assunto tão sério que terá de ser verificado por outras instâncias a veracidade do trabalho feito”, frisa o mesmo responsável, defendendo a intervenção das autoridades face à investigação realizada.

Frescos, embalados, nacionais e estrangeiros, comprados em diferentes lojas. Vinte e um dos produtos analisados pelo Labiagro, um laboratório acreditado e independente de controlo de qualidade e segurança alimentar, continham químicos de síntese, 17 dos quais com pesticidas excluídos da lista de produtos permitidos na agricultura biológica, na qual o cultivo só é feito com recurso a produtos naturais, normalmente extraídos de plantas.

A investigação determinou também que muitos dos produtos encontrados em lojas e secções de venda biológica não continham o selo “bio”, mas etiquetas com designações como “natural”, “saudável” e “eco”, que em nada estão relacionadas com a agricultura biológica.

O laboratório encontrou ainda butóxido de piperonilo em quatro destes 17 alimentos, um químico frequentemente utilizado em champôs antipiolho e, assim como o glifosato, considerado “possivelmente cancerígeno” pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA.

Apesar das suspeitas e queixas em torno do glifosato, a Comissão Europeia vai propor o alargamento por mais dez anos da autorização do uso de glifosato, encontrado em herbicidas de aplicação corrente como o RoundUp, da empresa Monsanto, depois de a Agência Europeia de Produtos Químicos ter considerado que o glifosato não era cancerígeno. Uma conclusão que é contestada pela associação portuguesa Quercus.

Em Portugal, os ambientalistas querem ver a substância banida. E do lado do Governo, houve uma iniciativa, em Dezembro de 2016 para proibir a utilização do glifosato em locais públicos como “jardins infantis, jardins e parques urbanos de proximidade e nos parques de campismo”, mas também “nos hospitais e noutros locais de prestação de cuidados de saúde ou lares e residências para idosos”, nas escolas e estabelecimentos de ensino, sendo a exceção os dedicados às ciências agrárias.

Fonte: PúblicoPT

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