Casal português não usa roupas nem consome alimentos de origem animal

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Print this page

O casal Elsa Pinto e Miguel Costa partilha um apartamento com três gatos no Porto, Portugal, e são veganos por razões éticas e ambientais.

Elsa altera temperos e adiciona proteína vegetal para reproduzir os famosos quitutes portugueses. “As pessoas podem ter o mesmo prazer sem sacrificar qualquer animal.” Não foi a única mudança na sua vida e na vida do seu companheiro, Miguel Costa. Não usam roupas feitas de tecidos de origem animal, nem cosméticos testados em animais e já compraram um carro eléctrico.

Há 15 anos, quando Elsa começou a reduzir o consumo de produtos de origem animal, a vida social de um vegetariano não era fácil (muito menos a de um vegano). Quase não havia restaurantes vegetarianos em Portugal. Um vegetariano entrava num restaurante, pedia que lhe servissem alguma coisa em conformidade e o mais comum era trazerem-lhe um prato com alface, cebola e tomate. Isto num país onde existe uma variada produção de alimentos de origem vegetal e uma tradição gastronômica que valoriza a presença de vegetais, incluindo grande variedade de sopas.

Com o passar dos anos, tem vindo a aumentar o número de vegetarianos e de não vegetarianos com interesse em refeições vegetarianas. E o país ajustou-se a esse número indeterminado de pessoas que optam por manter carne e peixe fora do prato. Já há mais de 30 restaurantes vegetarianos em Lisboa e mais de 20 no Porto e não faltam opções vegetarianas em muitos outros. Uma petição assinada por mais de 15 mil pessoas chegou ao Parlamento e já neste ano foi aprovada uma lei que prevê que todos os menus de cantinas e refeitórios do Estado (caso de escolas, universidades, hospitais, quartéis, estabelecimentos prisionais, lares, autarquias) tenham uma opção que não contenha quaisquer produtos de origem animal.

Elsa tem um projeto de petiscos vegan. O Capuchinho Verde já tem um extenso cardápio (filetes de tremoço, muffins de maracujá, empadas de cogumelos e espargos, quiche, seitan assado com batatas, vários tipos de pizza, seitanas, tartes de oreo, coquinhos, barquinhos…), que é feito por encomenda. Ela participa em mercadinhos, em eventos especiais e, em setembro, deverá começar a procurar o sítio ideal para instalar uma cozinha com um balcão.

Não anda a evangelizar por aí. Nem ela, nem Miguel, que é engenheiro de sistemas na Universidade do Porto. “Gostamos de explicar o que é, o que implica, mas só quando alguém faz uma pergunta, quando mostra curiosidade”, diz ele. “Acho que não é impondo que se convence as pessoas. Não é dizendo: ‘O que tens no prato é parte de uma vaquinha que foi morta. Imagina a carinha dela.’ É de outra forma. É mostrando que a comida vegan é boa.” E foi, precisamente, dentro dessa lógica que brotou o Capuchinho Verde.

A mãe de Elsa manifestou grande surpresa quando a ouviu dizer que nunca mais comeria peixe. “A sério, não vais comer?” A filha sempre gostara tanto de peixe. De todos os tipos de peixe. A mãe de Miguel só ficou de boca aberta quando ele lhe disse que jamais voltaria a comer produtos lácteos. Ainda tentou servir-lhe algo com leite. Ele era “viciado em queijo”.

Para resistir, Elsa pôs-se a pensar no modo como os peixes morrem, de forma lenta e dolorosa, quando são capturados. Grande parte dos peixes que se vendem nos supermercados é criada em viveiros. Os barcos de pesca varrem os oceanos, capturando peixes e outras criaturas. Há cada vez mais espécies ameaçadas.

Para resistir, Miguel pôs-se a pensar na indústria leiteira. “O leite, apesar de não parecer, é uma das coisas que mais maltratam animais e é a que se calhar tem mais impacto ambiental”, diz. “Para manter a produção de leite, as vacas são inseminadas à força. Os bezerros são considerados subprodutos.” Com poucos dias, são retirados às vacas e vendidos para carne. “Felizmente, agora há bons queijos de origem vegetal. Quando começamos não havia”, diz Elsa.

Só consomem leguminosas (feijão, lentilha, ervilha, grão-de-bico), sementes, castanhas, amêndoas, nozes, cereais, frutas, legumes, algas, cogumelos. Vão buscar proteína aos feijões, ao grão-de-bico, às lentilhas, às ervilhas, aos tremoços, às favas, aos produtos de soja, ao seitan, ao tofu, à quinoa, aos amendoins, ao caju, aos pistachos, às sementes de abóbora.

A Direcção-Geral de Saúde (DGS) já fez um manual para quem quer seguir uma dieta vegetariana de forma saudável. A ideia é evitar erros que possam pôr a saúde de cada um em risco. E realçar a relevância do consumo de produtos de origem vegetal na prevenção de doenças. A dieta vegetariana em geral, avisa, exige conhecimentos específicos.  Uma atenção especial deverá ser dada à ingestão de alguns micronutrientes. Há um risco associado à vitamina B12, sem fontes na dieta vegana, que deverá ser obtida através de alimentos enriquecidos ou suplementos.

Quando entram na secção de produtos para o corpo ou para a casa, recusam tudo o que tenha origem animal ou tenha sido testado em animais. Selecionam a dedo produtos com a inscrição “vegan” e um coelho a saltar com duas estrelas, o símbolo oficial de não testado em animais.

Porquê adotar uns animais e comer outros ou, pelo menos, compactuar com a exploração de outros?

A opção reflete-se também nos transportes. Miguel vai trabalhar de bicicleta. “Quando somos nós dois ou temos de levar coisas, levamos o carro eléctrico. Quando temos de ir ao centro da cidade vamos de metro.”

Para ler a matéria completa, acesse aqui.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *