Apreensão de mais de 500 animais silvestres em ônibus encontra vários mortos

Dos 562 animais apreendidos  pela Polícia Ambiental de Guarulhos, São Paulo, 16 chegaram mortos ao Centro de Recuperação de Animais Silvestres (Cras) que fica no Parque Ecológico do Tietê. Todos foram esmagados dentro das caixas de papelão onde foram escondidos. Os animais vieram da Bahia e seriam vendidos em mercado clandestino. Três pessoas foram detidas e liberadas em seguida. Vão responder por maus-tratos e por manter os animais silvestres em cativeiros.

Foram apreendidos 427 jabutis, 87 iguanas, 21 saguis, 2 falcões, 2 corujas e 23 pássaros de várias espécies. As imagens impressionam quem não está acostumado a ver apreensão de animais silvestres. Muitos pássaros estavam sem penas, as duas corujas filhotes estavam muito assustadas na gaiola e um dos dois falcões apreendidos fugia ao menor sinal de aproximação.

Os animais que sobreviveram foram alimentados, beberam água, alguns com dificuldade como os pássaros que não estão acostumados a tomar água em recipientes de plástico, pois bebem em rios e lagos ou nas poças de chuvas. Os Animais foram colocados em salas aquecidas onde vão passar a noite, a maioria recebeu tratamento veterinário para os ferimentos.

A apreensão foi feita pela manhã do dia 19 de abril pela delegacia ambiental de Guarulhos. Os bichos estavam no bagageiro de um ônibus de turismo que saiu do interior da Bahia, no dia 17 de abril, da cidade de Senhor do Bonfim, distante 2.048 km da capital paulista.

A Polícia Ambiental chegou aos animais depois de uma denúncia anônima e montou uma operação para interceptar o ônibus na rodovia Ayrton Senna. O veículo foi parado num acesso próximo à rodovia e que leva ao Jardim Helena, na Zona Leste de São Paulo.

 

O delegado Carlos Roberto de Campos disse que três pessoas foram detidas acusadas de tráfico de animais. Elas foram ouvidas e logo depois foram soltas. O delegado abriu inquérito para investigar o caso, e pretende chegar aos receptadores. “Pela quantidade de animais obviamente é comercialização, por isso que a gente vai continuar investigando pra chegar em outras pessoas”, afirmou.

Ainda segundo o delegado um dos detidos tem parentes em Guarulhos e na Zona Leste da capital paulista onde provavelmente os animais seriam levados, mas como se trata de uma contravenção penal, ninguém ficou preso “Eles praticaram a infração no artigo 29 da lei 9.605 e artigo 32, que seria maus tratos a animais e manter em cativeiro animais silvestres. Infelizmente é uma infração pequena, de três meses a um ano de prisão”.

Destino dos animais – Depois de tratados, os animais serão levados, de avião, para a cidade de Senhor do Bonfim, de onde vieram e serão devolvidos à natureza. Só que nem todos vão ter essa sorte, de acordo com a coordenadora do Cras, Liliane Milanelo. Ela conta que muitos animais não vão suportar os ferimentos. “Eles estavam amontoados em caixas de papelão, as iguanas estavam em sacos plásticos, eles sofreram muito, a gente calcula que de 30 a 50% dos animais não devem sobreviver.”

Essa é a segunda maior apreensão que Liliane acompanha. Ela diz que “há alguns anos, a polícia trouxe para cá 800 animais, todos muito machucados, uma tristeza”. Para acabar de vez com o tráfico de animais, a coordenadora do CRAS acha que o mais importante é as pessoas evitarem comprar animais que não tem a certificação do Ibama, que é preciso ter consciência

“Muita gente acha bonitinho ter um jabuti em casa, mas esses animais não são de cativeiro, eles foram tirados de lá que é o lugar deles, a gente tem que combater o comercialização dos animais.”

Fonte: G1

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