Apesar de várias fontes de proteínas vegetais disponíveis, farinha de grilo será lançada no Brasil

A população mundial – hoje em mais de 7,5 bilhões de pessoas – deve saltar para quase 10 bilhões até 2050, de acordo com a ONU. Pesquisadores brasileiros e a FAO, agência da ONU que trabalha no combate à fome e à pobreza, estudam opções nutritivas e sustentáveis para alimentar tanta gente.

Os insetos, segundo estes cientistas, seriam uma alternativa à proteína animal, consumida atualmente. “Existe uma demanda per capita de proteína crescente, então nós necessitamos de fonte alternativa de proteína e de outros nutrientes. Portanto, não é irracional você considerar os insetos como essa fonte”, afirma Thiago Mastrangelo, professor-doutor do Centro de Energia Nuclear, da USP.

De acordo a ONU, pelo menos 2 bilhões de pessoas ao redor do mundo já incorporaram os insetos em suas refeições. Na Malásia, os grilos são consumidos para combater a desnutrição infantil. “Os insetos significam a proteína do futuro. Muito importante a possibilidade de ter como parte da dieta uma ingestão de insetos”, aponta o representante das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura no Brasil, Rafael Zavala.

De acordo com Patrícia Milano, doutora em entomologia – especialidade da biologia que estuda os insetos —, os grilos são alimentos poderosos. “Os grilos têm um grau de proteína muito próximo ao da carne bovina. Se a gente for colocar a relação proteína versus gordura, eles têm muito mais proteína que gordura. A proteína deles é uma proteína muito forte, então, com pouco, eu já consigo um resultado extraordinário”, diz a pesquisadora.

Embora seja algo muito distante da cultura brasileira, os insetos podem entrar no mercado já no ano que vem. O empreendedor Luiz Filipe Carvalho se prepara para lançar uma farinha de grilo. “A farinha do grilo é um ingrediente bem versátil. Então, no lugar de uma proteína vegetal, proteína de soja, o próprio whey protein, você pode colocar ali a farinha de grilo para ter o seu fator proteico”, afirma Carvalho.

Além das vantagens nutritivas, os insetos também são vistos como sustentáveis. “Eu vou utilizar menos água para criar inseto, eu vou emitir menos gás carbônico ou gás de efeito estufa, que são nocivos para o meio ambiente”, completa a pesquisadora Patrícia Milano.

Em um mundo com transformações cada vez mais aceleradas, pensar no futuro da alimentação se faz urgente. “Temos que aproveitar a ciência para esse grande desafio que vai ser alimentar 10 bilhões de pessoas”, alerta Rafael Zavala.

Nos últimos 3 a 4 anos, mais de 25 startups de insetos comestíveis foram criadas nos EUA e no Canadá. Uma nova empresa, chamada All Things Bugs, vendeu 10.000 libras de farinha de grilo, segundo a Fortune.

Mesmo com tantas novidades no mercado substituindo as carnes derivadas de animais e com fartura de proteínas vegetais acessíveis, como feijões, lentilhas, grão de bico, quinoa e tofus, há quem invente novas formas de explorar animais, no caso agora, insetos, para obtenção de proteína.

Quando iremos direcionar esforços para pesquisas cada vez mais focadas em nutrientes vindos de vegetais, entendendo que não precisamos que nenhum animal sofra para virar alimento humano?

Vemos doenças se espalhando pelo mundo por consumo desenfreado de todo tipo de carne animal e mesmo assim não aprendemos nada? Está na hora de quem não entendeu, entender que animal não é comida. Eles não existem para nos satisfazer, nem alimentar. Eles tem direito a vida!

Fonte: CNNBrasil e Nutrindoideias

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