Ministro do Meio Ambiente quer que empresa privada monitore Amazônia

Hoje, dia cinco de junho, comemoramos o Dia Mundial do Meio Ambiente. Esse dia marca a importância da conscientização da preservação dos nossos bens naturais, florestas, animais, plantas, oceanos e toda Natureza que nos cerca.

Hoje soubemos também que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, quer contratar uma empresa privada para, segundo ele, melhorar o monitoramento da Amazônia. Mas uma reportagem do jornal “Folha de S. Paulo” revelou que o atual monitoramento feito por órgãos públicos, não é aproveitado totalmente.

A “Folha de S. Paulo”, mostra que nos primeiros cinco meses do atual governo, o Ibama registrou a menor proporção de autuações por alerta de desmatamento na Amazônia dos últimos quatro anos.

O jornal afirmou que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, culpa o atual monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) pela ineficácia no combate ao desmate e quer trocá-lo por uma empresa privada. Segundo a “Folha”, o ministro quer contratar a empresa paulista de geoprocessamento Santiago e Cintra.

Primeiro o ministério soltou uma nota dizendo que o Inpe não será substituído no monitoramento de desmatamento por satélite. E o ministro explicou depois que pretende fazer uma contratação específica para imagens em tempo real com alta resolução e detalhamento superiores aos do atual sistema. Segundo o ministro, será um complemento nas ações de fiscalização. Ele disse ainda que a empresa ainda não está definida. Vai depender da concorrência – o contrato é de R$ 7 milhões.

Ainda de acordo com a mesma reportagem, o Ibama vem reduzindo o número de autuações. Do começo de 2019 até 15 de maio, o Inpe enviou aos órgãos ambientais de fiscalização 3.860 alertas de desmatamento. A fiscalização do Ibama, no entanto, realizou apenas 850 autuações.

Dados apurados pelo Observatório do Clima mostram que as operações de fiscalização do Ibama no país de janeiro a abril caíram 58% em relação ao 2018. Foram 86 operações em 2018 e 36 em 2019. O ministro disse que o governo enfrenta a falta de dinheiro e de pessoal para fiscalizar e afirmou que está preocupado é com eficiência.

“Não há nenhum afrouxamento da política de combate ao desmatamento ilegal. O que nós queremos é dar maior eficiência aos recursos que temos, dar melhores condições as nossas equipes usando as melhores tecnologias e dar uma resposta em termos percentuais de melhora dessa curva que vem crescendo há sete anos de aumento do desmatamento. E para compensar esse déficit orçamentário e de pessoal, estamos tendo que elaborar melhores métodos e estratégias pra dar maior efetividade as ações de fiscalização”, disse o ministro.

O ambientalista Carlos Rittl afirma que os sistemas usados hoje, como o do Inpe, são muito eficazes para detectar desmatamento e que o problema é a falta de investimento em fiscalização.

“Não são esses sistemas de monitoramento, inclusive com alta resolução, que levam à redução do desmatamento. É necessário que se envie as equipes a campo, a partir dos alertas gerados pelos sistemas de monitoramento, para que então o crime seja enfrentado e para que então a gente tenha como resultado a punição daqueles que são responsáveis pelas irregularidades, pelo desmatamento ilegal”, explica.

Fonte: G1

Imagem: Exame/ (iStock/Thinkstock)

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